luzdomundo.pt

16 de Ago de 20208 min

Perseverança dos Santos

Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado. Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação (Hb 3.12–15).

8.1 Você perseverará na fé?

Eventos de revolta e tumulto em todo o mundo devem servir como um aviso para nós de que chegará o dia, mais cedo ou mais tarde, quando a hostilidade do homem não poderá ser contida pela força humana. Ela romperá a represa da contenção e inundará sua própria porta. E a pergunta mais urgente para todos os seguidores de Jesus Cristo será: “A nossa fé em Jesus resistirá? Ou vamos dar lugar ao medo, à incredulidade, à raiva e à vingança?

O profeta Daniel descreve uma época em que um dos governantes dos últimos dias “proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo” (Dn 7.25). E no livro do Apocalipse, o apóstolo João descreve esse tempo assim: “Se alguém leva para cativeiro, para cativeiro vai. Se alguém matar à espada, necessário é que seja morto à espada. Aqui está a perseverança e a fidelidade dos santos” (Ap 13.10).

A questão crucial para você nestes dias — e naqueles dias — é “você perseverará?”. Sua fé irá suportar os ataques que estão por vir? Ou você estará “desanimado” e desistirá da fé e se unirá à ilusão incrédula de segurança? Esta é a questão da perseverança. A questão da segurança eterna, o tema deste sermão.

A doutrina de que falamos hoje tem nomes diferentes e tem uma aplicação urgente e prática em nossa vida enquanto comunidade. Alguns a chamam de doutrina da segurança eterna. Alguns chamam de doutrina da perseverança. E a aplicação prática é que, seja como você chame isso, o processo é um projeto comunitário. Ou seja, você e eu somos essenciais para ajudar uns aos outros a perseverar até o fim na fé e não arruinar nossas almas.

8.2 Uma visão teológica sobre a perseverança

O texto da Escritura a que voltamos muitas vezes nestas décadas é Hebreus 3.12-15. Por isso, acho que seria útil esboçar uma teologia da perseverança em três pontos com base nesses quatro versículos e suas implicações para sua vida. E então, mostrarei a base mais ampla para isso nas Escrituras e sua relação com a cruz de nosso Senhor Jesus, e concluirei com algumas aplicações práticas para sua vida em famílias e pequenos grupos.

1. O chamado para perseverar é real.

Hebreus 3.12: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo”. Este é um claro apelo a todos os crentes (“irmãos”) para que perseverem na fé. Não que n]ao deem lugar à incredulidade. Não “desanime”. É uma chamada para perseverar. Para ser firme. Para manter a fé até o fim. “Não deixe que seu coração se tornar perverso e incrédulo. Não se afaste do Deus vivo”. Este é um perigo real dito à igreja. Aqueles que o descartam porque sua doutrina de segurança eterna não admite tal perigo, estão em maior perigo.

2. Cada um de nós é um meio para a perseverança do outro.

Hebreus 3.13: “Pelo contrário [ao contrário de dar lufar a um perverso coração de incredulidade], exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado”. Então no versículo 15 ele faz o que nos diz para fazer. Ele nos exorta com as palavras do Salmo 95.7-8: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração”.

Assim, o segundo ponto é que um dos meios essenciais de não se tornar endurecido — a proteção contra um perverso coração de incredulidade — são os outros crentes ao seu redor falando palavras de apoio à fé em sua vida. Sua família, seus amigos, seu pequeno grupo. “Exortai-vos mutuamente cada dia”, ou seja, falem palavras de verdade que sustentem a fé na vida do outro. Paulo disse em Efésios 4:29: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem”.

Assim, o segundo ponto dessa teologia da perseverança é que Deus projetou sua igreja para que seus membros perseverem até o fim na fé por meio de falar e ouvir palavras de apoio na fé uns dos outros. Você e eu somos os instrumentos pelos quais Deus preserva a fé de seus filhos. Perseverança é um projeto comunitário. Assim como Deus não vai evangelizar o mundo sem vozes humanas que despertam a fé, assim também ele não vai preservar sua igreja sem vozes que sustentam a fé humana. E claramente as palavras, “exortai-vos mutuamente” (versículo 13), significa todos nós, não apenas pregadores. Dependemos uns dos outros para perseverar na fé até o fim.

3. Perseverar na fé é uma evidência de que estamos em Cristo.

Versículo 14: Exortem-se e ajudem-se mutuamente a manter sua confiança: “Porque [porque] chegamos a compartilhar em Cristo, se realmente mantivermos nossa confiança original firme até o fim”. Este é um dos versículos mais importantes no livro de Hebreus, porque estabelece que se uma pessoa veio para compartilhar em Cristo, essa pessoa certamente perseverará até o fim na fé. Olhe atentamente a lógica e os tempos verbais. Tudo depende disso.

Versículo 14: “Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos”. Observe, ele não diz, “se mantivermos nossa confiança até o fim”, o que significa que perseverar até o fim não lhe dá uma participação em Cristo. Perseverar até o fim apenas prova que você já teve uma participação em Cristo. A perseverança é a evidência do novo nascimento em Cristo, e não o meio para isso.

Ou para colocar o mesmo ponto de forma negativa: se você não tiver confiança em Cristo até o fim, o que isso mostraria? Isso mostraria que você não “se tornou participante de Cristo”. Assim, o negativo do versículo 14 seria: “Não nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, não guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos”.

Então você vê o que isso implica sobre a segurança eterna? Ele diz: se você se tornou participante de Cristo — isto é, se você nasceu de novo, se você é verdadeiramente convertido, se você é justificado e perdoado através da fé salvífica — você não pode deixar de perseverar. Você vai manter sua confiança em Cristo até o fim.

A lógica é idêntica a 1 João 2:19. “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos” (1 João 2.19). “se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco”, é o mesmo que “Se você realmente é um participante de Cristo, você vai manter sua confiança até o fim”.

Então, aqui está o resumo da nossa teologia da perseverança em três pontos.

  1. Não deixe seu coração tornar-se perverso e incrédulo, porque se o fizer, você se afastará do Deus vivo e perecerá para sempre.

  2. Como um meio de proteger uns aos outros de um coração tão perverso e incrédulo, fale palavras que sustentam a fé e que apoiam a fé na vida de cada um a cada dia.

  3. Esta advertência e exortação não é porque uma pessoa que realmente pertence a Cristo pode se perder, mas porque a perseverança é a evidência de que você realmente pertence a Cristo. Se você cair, isso demonstra que nunca foi um verdadeiro participante de Cristo. E Deus nunca permitirá que isso aconteça com aqueles que se tornaram participantes de Cristo.

8.3 Fidelidade inquebrável de Deus

“E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30). O que significa: entre a eternidade passada na predestinação de Deus e a eternidade futura na glorificação de Deus, ninguém se perderá. Ninguém que é predestinado para ser filho de Deus falha neste chamado. E ninguém que é chamado falha em ser justificado. E ninguém que é justificado falha em ser glorificado. Esta é uma cadeia de aço inquebrantável da fidelidade pactual de Deus.

E assim Paulo diz: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6). “O qual também vos confirmará até ao fim, para serdes irrepreensíveis no Dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1Co 1.8-9). Estas são as promessas de nosso Deus que não pode mentir. Aqueles que nascem de novo são tão seguros quanto Deus é fiel.

8.4 Como nossa perseverança está conectada à cruz de Cristo?

Qual é a conexão entre esta segurança — esta perseverança prometida — e a cruz de nosso Senhor Jesus? Pouco antes de Jesus derramar seu sangue pelos pecadores, ele levantou o cálice na última ceia e disse em Lucas 22:20: “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós”. O que isto significa é que a nova aliança, prometido mais explicitamente em Jeremias 31 e 32, foi garantida e selada pelo sangue de Jesus. A nova aliança se torna realidade porque Jesus morreu para estabelecê-la.

E o que a nova aliança assegura para todos os que pertencem a Cristo? Perseverança na fé até o fim. Ouça Jeremias 32:40: “Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim”. O pacto eterno — a nova aliança — inclui a promessa inquebrantável: “porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim”. Eles não podem. Eles não vão. Cristo selou esta aliança com o seu sangue. Ele comprou sua perseverança. Se você está perseverando na fé hoje, você deve isso ao sangue de Jesus. O Espírito Santo, que está operando em você para preservar sua fé, honra a compra de Jesus. Deus, o Espírito, opera em nós o que Deus, o Filho, obteve para nós. O Pai planejou. Jesus comprou. O Espírito aplica — todos eles — infalivelmente. Deus está totalmente comprometido com a segurança eterna de seus filhos comprados pelo sangue.

8.5 A necessidade da comunidade na certeza da segurança

Isso nos leva agora a esse ponto de aplicação. Deus uniu a certeza da segurança com a necessidade da comunidade. Hebreus 3:13: “Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado”. A segurança eterna é um projeto comunitário. Ou agora podemos dizer que a segurança eterna adquirida pelo sangue é um projeto comunitário comprado pelo sangue.

Isso pode soar como se fosse frágil, já que nossa vida comunitária é sempre imperfeita. Mas não é frágil. Não é mais frágil do que a capacidade soberana de Deus para trazer os outros para fazerem parte de sua vida e para enviá-lo para participar da vida deles. Deus soberanamente preservará todos os que pertencem a Cristo. E ele fará isso através do ministério de sustentação da fé de outros crentes.

Se você é casado, significa que Deus — e não o homem (“o que Deus uniu”) — já o colocou em lares designados para isso mesmo — o ministério cotidiano da palavra que sustenta a fé e derrota o pecado. Maridos e esposas. Pais e filhos.

Deixe-me dar alguns exemplos do que isso significa para maridos e esposas.

Para maridos:

  • Ame a sua esposa sacrificialmente e cuide dela como um reflexo do amor de Cristo pela igreja (Ef 5.25, 29). Isso irá sustentar sua fé para ver isso.

  • Esteja alerta e discirna as necessidades espirituais, emocionais, relacionais e físicas da sua esposa, e se esforce para satisfazer essas necessidades — direta ou indiretamente (Hb 3.12-13; 1Pe 3.7).

  • Busque edificar sua esposa com conhecimento bíblico, através de suas próprias palavras e com seu encorajamento e ajuda para que ela se beneficie dos ministérios de ensino fornecidos pela igreja (Jo 8.32; Ef 4.25-30).

  • Encoraje e ajude sua esposa a se dedicar ao ministério na igreja e no mundo (Pv 31.20; Ef 4.11-12; 1Tm 5.9-10).

    120
    0